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Automação industrial e mercado de trabalho: o estado do debate na China

Imagem retirada de http://www.jornal.ceiri.com.br/automacao-industrial-e-mercado-de-trabalho-o-estado-do-debate-na-china/

07/06/2017 - A substituição de trabalhadores por máquinas parece estar se intensificando no setor industrial da China. Este movimento já vem ocorrendo de forma significativa nos países desenvolvidos há algumas décadas e suscita questões acerca do futuro dos mercados de trabalho frente à automação. Esta conjuntura nos leva a questionar quais serão os impactos globais da automatização na China e quais indústrias serão mais afetadas.

Desde o ano de 2013, a China se tornou o maior comprador mundial de robôs para atuação na indústria. Estima-se que nove robôs sejam capazes de realizar o trabalho de 140 trabalhadores manuais, executando funções simples. Apenas no ano de 2015, a China adquiriu 66.000 do total de 240.000 robôs vendidos globalmente. Se analisada através da perspectiva dos empresários, incorporando-se a racionalidade econômica e a busca pelo lucro, este tipo de investimento faz sentido. No entanto, sob a perspectiva de Estado e pensando em um problema global ligado à desigualdade, este tipo de lógica é preocupante.

Vários fatores estimulam estas mudanças: o aumento da remuneração dos trabalhadores chineses, ao passo que cresce o estrato social da classe média e os jovens buscam novas áreas de atuação; a diminuição do preço dos robôs para uso industrial, além do aumento de suas capacidades e eficiência; e, por fim, a competição no mercado, que pressiona os proprietários e administradores das fábricas a se alinharem com as mais avançadas práticas de produção, que possibilitem menores preços e/ou maior diferenciação do produto.

O uso de robôs demanda uma força de trabalho mais bem preparada, porém isto significa menor número de empregos, o que inclui o desenvolvimento de novas habilidades e/ou mais anos de educação formal. O conjunto deste movimento pode dificultar a entrada no mercado de trabalho para aqueles que não possuam estes requisitos. Outros argumentos enfatizam que, no longo prazo, as mudanças demográficas exigirão o uso de robôs para que a China mantenha o seu nível de produtividade, à medida que a população economicamente ativa do país vá diminuindo devido ao envelhecimento.

Uma análise histórica dos diferentes processos de industrialização demonstra que a substituição de trabalhadores de baixa remuneração no campo pelo trabalho de maior remuneração na indústria foi um importante fator para que as nações pudessem se desenvolver. Globalmente, a troca de trabalhadores por máquinas poderia alterar a possibilidade de países menos desenvolvidos atingirem este processo. O uso de máquinas no médio e longo prazos poderá aumentar os custos do investimento inicial necessário para ingressar em determinada atividade econômica com suficiente competitividade para permanecer no mercado, suscitando concentração industrial para alguns e desindustrialização prematura para outros países.

Um estudo realizado pelo Instituto Mckinsey estima que quase metade dos empregos que existem atualmente poderão ser extintos até o ano de 2055, devido à automação. Outro estudo do mesmo instituto aponta que os setores mais resilientes a estas mudanças parecem ser as atividades que envolvam gestão de pessoas e de equipes, atividades de tomada de decisão, planejamento estratégico, produção criativa, além de suporte humano e psicológico.


Fonte: Jornal Ceiri

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